Revista Sinuosa

Yona Wallach: sexo e filactérios na Terra Santa

wallachYona Wallach nasceu em Tel Aviv, em 1944. Ainda antes do Estado de Israel exisitr, enquanto aquela área era o Mandado Britânico da Palestina. Nessa Tel Aviv que, em sua autobiografia, Amós Oz cita existirem figuras modernas, que aos seus olhos de criança de Jerusalém, tinham algo de quase mítico.

Wallach ainda não era uma dessas figuras – ela era um pouco mais nova que Oz (ele nasceu em 39, ela em 44) – mas cresceu nesse ambiente. Quiçá a visão de Oz fosse um tanto obliterada pela infância e pela vida um tanto estrita que levava em Jerusalém, mas ela certamente tornou-se uma dessas figuras modernas e transgressoras.

Wallach era orgulhosamente bissexual e vivia sua sexualidade de modo bastante livre – de modo assumidamente político, ao que vejo. É considerada uma das mais importantes feministas de Israel, ainda que algumas de suas performances a aproximem mais do queer do que de qualquer outra coisa.

Um de seus mais importantes – e polêmicos – poemas é Tefillin, em que utiliza os filactérios utilizados pelos judeus mais ortodoxos ao realizar suas orações, como brinquedo sexual em uma relação sadomasoquista. Junto com os poemas foram publicadas uma série de fotos em que Yona estava junto a um modelo nú, que tinha apenas os filactérios atados aos braços. Ainda hoje tanto poema quanto fotos (que completaram 30 anos agora) causam polêmcia entre as comunidades judaicas mundo afora.

Wallach morrem em 1989, de câncer de mama.

 

Tefillin

 

Venha até mim Deixe-me fazer nada

Você faz por mim

Faça tudo por mim

Tudo o que eu começar a fazer

Você faz no meu lugar

Eu colocarei os tefillin eu rezarei

Você colocará os tefillin para mim

Ate-os aos meus braços

Brinque com eles dentro de mim

Passe-os delicadamente sobre meu corpo

Esfregue-os em mim

Me excite em todo lugar

Me faça desmaiar com sensações

Faça com que corram por meu clitóris

Amarre meus quadris com eles

Para que eu possa gozar rapidamente

Brinque com eles dentro de mim

Amarre minhas mãos e pernas

Faça coisas comigo

Contra a minha vontade

Me vire de bruços

Coloque os tefillin em minha boca como rédeas

Cavalgue-me como a uma égua

Puxe minha cabeça pra trás

Até eu gritar de dor

E você ter prazer

Mais tarde eu os passarei sobre seu corpo

Com intenções bem claras

Ó, que rosto cruel eu vou ter

Eu os passarei devagar sobre seu corpo

Devagar devagar devagar

Ao redor de sua garganta eu os passarei

Eu vou enrolar uma das pontas ao redor da sua garganta algumas vezes

E amarrar a outra ponta a algo estável

Algo muito pesado que talvez gire

Eu puxarei e puxarei

Até o que seu último suspiro escape

Até que eu te estrangule

Completamente com os tefillin

 

Masturbação

 

Você dormiu de novo com o senhor Ninguém

amou seu olhar vazio

e abraçou seu corpo ausente.

 

Os olhos de seu amante olham para um ponto longínquo

Não exatamente para você não em você,

ele é jovem e já tão amargo.

 

O amor que penetrou em sua carne por um momento

enche seu corpo e alma com calor

da ponta do seu cabelo até seus órgãos internos,

 

lhe deixando de novo com o senhor Ninguém

tocando com mão nenhuma em seu corpo

que responde com nenhuma emoção e nenhuma expressão

nenhum calor a cada toque –

 

Você mostrou o poema para seu jovem amante

ele responde com fúria e diz que é ruim

e sequer é um poema e vira das costas

talvez ele pense que ele é homem nenhum,

 

será que ele pensa ser homem nenhum?

não entende poesia, com emoção

pede muito, horas

quando cinco minutos de amor seriam suficientes

para encher um dia todo com o calor necessário,

 

homem nenhum dá frio tuas emoções congelam

seu corpo, o frio se espalha por seus membros

congelando suas bochechas e te causando um tremo de nervoso

da curva de uma bochecha ao olho oposto e extinguindo

o broto de emoção e mandando o gosto da dor

para a garganta para diferentes partes do pescoço e das costas.

 

Você explica para seu amante o significado do tempo do

amor, cinco minutos são como horas

até mesmo cinco horas, existem de todos os tipos, vale a pena

usar todos os tempos possíveis a qualquer momento

pois é impossível antes do trabalho de manhã

amar três horas você tem que se aquecer e é isso

ele entra nessa rápido e tenta mas se decepciona

não parece legal pra ele ser tão rápido

ele quer mais plenamente do que isso,

mas ele é esperto e tem uma chance e uma oportunidade

como essa pode nunca voltar em sua curta vida

você tem de mudar seus ideais um pouco, se ajustar à situação,

mas de novo ele está sozinho consigo mesmo e com você

e exige a força da noite numa breve manhã.

 

Você manda um olhar frio para homem nenhum

e promete encontra-lo de novo à noite

pois certamente ele vai voltar, ele é a morte espiritual

ele dá o olhar mais frio

e permanece ao seu lado esperando captar cada sentimento

pelo ar, para transformá-lo completamente em vazio, em nada,

 

Você estudou o olhar de seu amante

os olhos escuros dele dois frutos

que ameaçam dar um olhar tão suave

como a memória do sabores das uvas, observando em terror

e mais do que os nervos cegos dele

que põe em perigo

doses suaves de sentimentos e amor.

 

Você pergunta se ele irá enlouquecer, se ele irá perder.

o movimento do vento sobre o rosto dele marcas

trilhas que você desvenda habilmente,

você dá voz a sons alegres

de alongamento, ele coopera por um momento envia um sorriso

e você o vira no avesso com auto-amor

o traz pra fora e o encara como a uma joia,

ele emerge das velhas canções e ele

é um dos heróis, também sua beleza

é tal, que é um dos maravilhosos nomes

tão perdido no assustado ansioso

ser no útero da sociedade,

ele nascerá lá fora ainda mais monstruoso

nascerá de novo e te amará

a cada manhã como deveria ser como ele é capaz,

 

ele se acostumará a sua prostituição cuja fonte é interna

e logicamente de outro modo ela não emergiria

e sua decência de acordo com cada honorável entendimento doméstico

que distingue entre o que e como e onde,

e o amor dele vestirá menos formas mortas,

e você se renderá novamente ao senhor Homem Nenhum

nos momentos difíceis ele congelará seus dedos

se tocando com desejos diversos,

 

mas os poemas são apenas um tecnicismo

adquirido em anos de vivencia

o herói viverá em cada forma poética

como terceira pessoa ou primeira ou segunda,

 

ele entenderá isso também

viverá como primeira pessoa, segunda ou terceira

a impressão que ele causa é que via de regra ele

vive como a terceira pessoa consigo mesmo

fala sobre si mesmo como se a respeito de alguém de quem você cansou,

fala de modo separado de si mesmo e de seu sexo

fala sobre si mesmo como se ele e não sobre essas suas emoções

que também é outra pessoas também o outro

do qual ele tem inveja, de quem ele terá medo,

sexo ele é, ele o dá isso

 

você é a mãe dele o criando

lhe devolvendo a confiança a fé em si mesmo

você se encontra com o senhor Homem Nenhum e aprende a respeito

de outras pessoas e sobre o outro ele

até pensou que ele poderia ser todos os tipos de natureza

você junta o sexo separado a ele mesmo

o eu sinto eu percebo,

eu meu corpo minha aula eu mesmo e carne eu mesmo.

Ele será cultivado serão amor óperas e emoções,

Generalizarão com mis facilidade sobre outros da mesma estirpe,

Porque o fruto do amor tem vida curta

Ainda mais do que os frutos de um poema assim.

 

 

JONATHAN

 

Eu corro pela ponte

e as crianças no meu encalço

Jonathan

Jonathan eles chamam

um pouco de sangue

só um pouco de sangue para temperar o meu

eu concordo com um pouquinho, um preguinho

mas as crianças querem

e eles são crianças

e eu sou Jonathan

Eles arrancam minha cabeça com uma haste

de gladíolo e juntam minha cabeça

com duas hastes de gladíolo e envolvem

minha cabeça em papel barulhento

Jonathan

Jonathan dizem

nos perdoe, de verdade

não imaginávamos que você era assim

Anúncios

Sobre Luciano R. M.

"Eu no entanto gostaria enfim de estar além do verso e da prosa, da intenção e da justificação." Czesław Miłosz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 10 de dezembro de 2012 por em Poesia, Política, Tradução e marcado , , , , , , , .
%d blogueiros gostam disto: